Verdade seja dita, não é fácil manter-se bonita o tempo todo sendo uma bodyboarder. Quando se trata de viver na água salgada aos mergulhos e manobras, esse papo de “você não faz nada, tem beleza natural” não cola. Quer ver só?
1. Primeiro de tudo, o cabelo. A maioria de nós segue firme na empreitada do longo, mesmo que isso signifique ter que gastar mais grana com cremes e afins. Talvez, isso aconteça pela necessidade histórica de provar a todos que pegar onda não é coisa só de homem ou de mulher que não se cuida.
O brilho das ondas dos nossos fios exuberantes que vencem as condições adversas são uma espécie de arma contra o machismo. Os cabelos curtos são muito mais econômicos e fáceis de cuidar, quebram menos, uma boa opção. Mas a gente persiste, mesmo quando perdemos o prendedor em plena manobra – e aí, para tudo, força na peruca, a gente se recompõe pra não deixar os fios soltos atrapalharem a performance. Quem nunca?
2. Em termos de saúde, mais importante que o cabelo é a pele. Mas pra nós também não basta estar protegida com filtro solar – geralmente somos responsáveis com isso, sem muitos problemas. A questão é que queremos uma pele hidratada, radiante, bronzeada por igual, mesmo indo à praia quase todo dia. Isso que é difícil; lutar contra as manchas no rosto.
Olha que dilema: quando vamos ao dermatologista, nos receitam pomadas e ácidos carérrimos e a instrução categórica é “não pegue sol!”. E agora? Sigo bronzeada, mas com manchinhas que só aumentam com o tempo, que envelhecem, ou abro mão de cair no mar quase todo dia, e consigo aquela cutis branquinha que mamãe sempre sonhou? É claro que optamos pela primeira opção. Longe da praia? Ahan. Senta lá, Cláudia. Buscamos uma pele saudável, hidratada, sim. Mas a aceitamos com algumas pintinhas, fazer o quê? Assumimos essa condição e falamos pro mundo: esse é um dos nossos charmes, e ponto.
4. Um detalhe importante desse post, depilação. Se as mulheres que não pegam onda já sofrem, mesmo podendo se dar ao luxo de passar uma semaninha sem ir à depiladora, imagina a gente? Ainda bem que já inventaram técnicas mais definitivas, porque encarar a cera quente ou fria toda vez antes de botar o biquini é dureza, das brabas, às vezes mais tenso que as ondas de Pipeline.
3. E o corpo? Não há gente mais sujeita a olhares e julgamentos que as pessoas que vivem de biquini na praia, com todas as celulites e gordurinhas ali, pra todo mundo ver e comentar. Bora encarar a verdade? Sim, é comum que as bodyboarders tenham um corpo bacana; consequência da rotina. Vivemos na água gastando energia, fôlego, força. Praticamos exercícios, mas ficar “gostosona” tá longe de ser nosso foco. Fato é que ter um abdomen sarado não significa que curtimos uma suposta fama de “gata”, muito menos que achamos legal ouvir comentários desrespeitosos. Não! E também não venham “cobrar” da gente esses músculos sempre torneados, tá errado. Cada uma tem seu corpo, cuida dele, e tem direito de se sentir livre e feliz sempre que começa a dropar.
Aprendam: ser uma bodyboarder é muito mais que ser “capa de revista”; é a busca constante de um estilo de vida saudável, do contato direto com a natureza. Apesar de não usarmos maquiagem o tempo todo, ou não vivermos de escova, nos cuidamos, gastamos tempo preocupadas com os cabelos, pele e unhas, mas principalmente com a saúde – física e mental. Essa sim é nossa beleza natural.